quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Levítico 13:9-28

 

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)


 

Para que a lepra pudesse ser diagnosticada, o doente tinha que apresentar dois sintomas: pele branca, uma figura do declínio espiritual derivado da perda de comunhão com o Senhor. A mancha mais profunda na pele indicando que não se trata de um defeito superficial e revela um mal profundo. Mas aqui encontramos um paradoxo: enquanto uma única mancha era suficiente para estabelecer a impureza do leproso, a partir do momento em que ele se encontrava totalmente coberto com a doença podia ser considerado limpo! Essa é a maneira. Pode parecer estranho, mas o significado espiritual é muito importante, pois fala de alguém que julgou totalmente o pecado da carne em si mesmo: ele está totalmente exposto diante de Deus.


Assim que o pecador ocupa o seu verdadeiro lugar perante Deus, todo o problema do seu pecado é resolvido. Desde que manifeste o seu verdadeiro caráter, desaparecem todas as dificuldades. Talvez tenha de passar por experiências difíceis antes de chegar a este ponto - experiências resultantes de se recusar a ocupar o seu verdadeiro lugar, ou seja, confessar "toda a verdade" sobre a sua pessoa. Porém desde o momento em que ele se decide a dizer, de todo o seu coração, "tal como sou" a graça de Deus se derrama sobre ele. "Enquanto eu me calei, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio" (Salmo 32:3-4).


Assim como o pobre leproso, que por tanto tempo foi obrigado a manter as áreas infectadas cobertas, agora já não era capaz de esconder coisa alguma, mesmo assim, quando um homem é forçado a confessar-se totalmente imundo, Deus pode declará-lo limpo em virtude da obra de Cristo. "Confessei-te o meu pecado e a minha maldade não encobri... e Tu perdoaste a maldade do meu pecado" (Salmo 32:5). Mas toda mostra de "carne viva" mostrava contaminação fresca: isto tipifica os esforços infrutíferos da velha natureza para melhorar a si mesma. O pecado contamina enquanto está encoberto, mas quando é trazido completamente à superfície pela confissão honesta e completa por parte do pecador, deixa de contaminar. Na confissão o pecador julgou a si mesmo e o poder de propagação e difamação de seu pecado é quebrado. "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar... Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso" (1 João 1:9-10).


O Novo Testamento também nos ensina a discernir um caso de outro. Em Gálatas 6:1 não é um caso grave de alguém que se habituou a ser devasso, avarento, idólatra, maldizente, beberrão ou roubador (1 Coríntios 5:11). No primeiro caso, é preciso a ajuda restauradora dos irmãos; no segundo é necessário que ele seja afastado da comunhão dos santos com o objetivo de recuperação. Alguns casos são claros, outros mais difíceis e exigem um discernimento especial. Por esta razão, era dado tempo ao sacerdote para ter certeza quanto ao caso (versículo 21). Se depois do tempo houvesse propagação, a pessoa estava impura; caso não, o sacerdote o declararia limpo (versículos 22-23). O discernimento sacerdotal deve ser capaz de reconhecer uma mudança favorável na atitude de alguém que antes estava em má condição.


Em Lucas 5, um homem "cheio de lepra" chega a Jesus e pede: “se quiseres, bem podes limpar-me”. O Senhor o “limpa” e o ordena a dar testemunho Dele, cumprindo com as instruções do capítulo 14 deste nosso estudo.  

   


Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.





terça-feira, 8 de setembro de 2020

Levítico 12:1-8 e 13:1-8

 

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

 

 

Para mostrar que os recursos divinos são fornecidos antes do aparecimento do pecado, Levítico considera os sacrifícios e o sacerdócio antes do pecado. O capítulo 11 nos ensina a ficarmos atento para não sermos contaminados por impurezas externas. Mas o mal não está somente em torno de nós, está igualmente em nós; nosso inimigo já está dentro. O Capítulo 12 nos torna conscientes do seu caráter hereditário: "Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe" (Salmo 51:5). 

A natureza pecaminosa de Adão foi transmitida a toda a sua raça; uma criança recém-nascida é um pecador em potencial antes de cometer qualquer ato culpado; sendo assim, ela precisa tanto do sacrifício de Cristo como um adulto. O nascimento de uma criança deveria ser um gozo e uma bênção. Mas isso foi antes da queda de Adão e Eva. Agora leia Gênesis 3:15 e veja o resultado do pecado que Eva cometeu. O pecado nunca fica sem castigo. O nascimento de uma criança, por causa do pecado de nossos primeiros pais, tornou agora a mulher impura - sob a lei. O Senhor Jesus levou a maldição da lei por nós, de modo que não estamos sob a lei, mas sob a graça (Gálatas 3:13 e 1 Coríntios 6:18-20). 


Cada criança nascida no mundo acrescenta o pecado que foi introduzido pela primeira vez pela mulher. Contudo, Deus havia dito para que Adão e Eva "fossem frutíferos e multiplicassem" (Gênesis 1:28) e esta instrução não foi alterada quando pecaram. Mas cada criança nascida é um lembrete de que o pecado exige um sacrifício. Assim, em Israel, quando uma mulher tinha um filho, ela ficaria impura por sete dias. No oitavo dia, o filho seria circuncidado. O número oito significa um novo começo, que ocorre quando a carne é cortada, pois "a carne para nada aproveita" (João 6:63).


Então ela permaneceria 33 dias "no sangue de sua purificação" (versículo 4). Mas se tivesse uma menina, o tempo era duas vezes maior, duas semanas impura e 66 dias até que a purificação fosse realizada. Isso porque "Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão" (1 Timóteo 2:14), e é através da mulher que a raça dos pecadores é perpetuada.


Isso feito, seja para um menino ou menina, a mãe devia trazer ao sacerdote uma oferta pelo pecado (versículo 6). Observe aqui que não havia oferta pela culpa, pois não era uma questão de ter feito algo de errado. Mas a oferta pelo pecado trata da natureza pecaminosa que é herdada pelo nascimento, de modo que esta oferta fala de Deus ter, pela cruz de Cristo, condenado o pecado na carne (Romanos 8:3). O holocausto nos diz que a glória de Deus é realmente a primeira consideração neste assunto. Quando Deus é glorificado e o pecado é condenado, o impuro é purificado (versículo 7).


Os capítulos 13 e 14 tratam da lepra, sempre uma figura do pecado em seu caráter de mancha, impureza, contaminação. A Lepra ou Hanseníase é uma doença que destrói o corpo, é contagiosa e incurável, repugnante a vista e enfraquece a sensibilidade do tato. A lepra era encontrada em pessoas, vestes e casas. Romanos 5:12 nos fala que a morte entrou no mundo pelo pecado. Portanto, a lepra era como o pecado atuando na carne.

No capítulo 12 vimos a natureza pecaminosa da humanidade sendo tratada; agora o capítulo 13 considera o que fala da erupção da natureza na atividade pecaminosa. Pois, embora não sejamos responsáveis por ter uma natureza pecaminosa, somos responsáveis se permitimos que ela se rompa em ações pecaminosas, e hoje aqueles que formam uma assembleia são responsáveis por discernir e julgar o mal quando ele se desenrola entre eles, isso coletivamente, e nós, individualmente, somos responsáveis por discernir e julgar o mal em nós.


Observe que não era o médico, mas o sacerdote, a pessoa que podia falar a verdade acerca disso. Não era algo fácil de se detectar. Para o crente, a pessoa que vive próxima ao Senhor, fica mais fácil detectar o pecado (Hebreus 5:14, 1 Coríntios 2:14). Por isso, aqui Aarão (uma figura de Cristo) ou o filho de Aarão (uma figura de um crente vivendo próximo ao Senhor) podia decidir se era ou não lepra. Na assembleia, os que investigam tais coisas devem ser aqueles que têm experiência e discernimento piedosos, e que "tenham compaixão dos ignorantes e errados, pois eles mesmos também estão rodeados de fraqueza" (Hebreus 5:2). Se a carne aparecesse, era lepra. Quando a carne (a velha natureza) está ativa em nós, o pecado está em atividade. Isso fica evidente. 

 

Se algo aparecesse na pele de um indivíduo e dois sintomas fossem evidentes, “se o pelo na praga se tornou branco, e a praga parecer mais profunda do que a pele da sua carne” (13:3) não restava dúvida alguma: era lepra. O pelo branco fala da decadência da força espiritual e a praga mais profunda do que a pele indica que o pecado não é meramente um caso leve.

Se o homem estivesse todo branco - era como uma pessoa hoje que confessa que não existe nada de bom nela, mas apenas pecado - então estava limpo (Romanos 7:18).


Aos olhos de Deus, o pecado apresenta características correspondentes. Se expressa em ações e palavras, mesmo em crentes, infelizmente - conhecemos muito bem! 

 Por exemplo, Miriã - calúnia (Números 12:10), Geazi - ganância e mentiras (2 Reis 5:27), Uzias - orgulho espiritual (2 Crônicas 26:20).


Para nós hoje, se o mal estiver em ação, ele se espalhará: caso contrário, desaparecerá. Como discernimos isso? O sinal mais seguro de que o mal não está ativo é visto em uma atitude de autojulgamento. Em um caso como este, uma atitude de autodefesa quase sempre indica que o mal está se espalhando. Se um crente cai no mesmo tipo de pecado depois de ser perdoado, isso mostra que a raiz do assunto não foi realmente julgada. O mais importante para o pecador hoje é confessar a Deus.



Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.





segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Levítico 11:29-47


(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

 

 

Observando os répteis e os animais que "deslizam" sobre a terra, reconhecemos certos aspectos e perigos morais que devemos tomar cuidado. Somente alguns que são proibidos são mencionados aqui, contudo nos versículos 41 a 43 isso é ampliado para incluir todos os animais que rastejam de qualquer tipo. Estes são uma figura de pessoas que possuem um caráter repulsivo. A doninha e o rato prejudicam as plantas jovens, destruindo as raízes; as diferentes espécies de lagartos sugerem talvez as inúmeras maneiras em que as pessoas “desfilam” para atrair a atenção; o camaleão sugere aqueles que sempre assumem o estilo do ambiente em que estão: comportam-se como cristãos entre cristãos, e como homens do mundo na companhia das pessoas do mundo. Nos versículos 41 a 43 também deixa claro que todas os animais rastejantes eram proibidos para Israel. Mas não são agora que a graça foi declarada em Cristo Jesus nosso Senhor (1 Timóteo 4:4), se forem recebidos com ações de graças. Isso nos lembra que mesmo o mais repugnante dos seres humanos pode ainda ser salvo pela fé no Senhor Jesus.

 

Os versículos 32 a 40 mostram como os melhores e mais úteis equipamentos podem ser estragados por aquilo que vem da "serpente". Que o Senhor nos ensine a vigiar nossas almas e a fazer uso da provisão inalterável que Ele deixou a nossa disposição: uma cisterna, uma fonte de água, imagens da Palavra divina, permanecendo sempre limpas. Uma fonte que produz muita água não seria contaminada pela carcaça morta (versículo 36), isso nos diz que a Palavra e o Espírito de Deus são superiores à morte e não podem ser contaminados por ela, pois a água fala da palavra de Deus e sua fluência fala da energia do Espírito de Deus ao dar poder à palavra.


Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti (Salmo 119:11). Um israelita piedoso sempre teve o cuidado de se preservar de todo alimento comum ou imundo (Atos 10:14). Que tenhamos uma consciência sensível para distinguir entre o que é espiritualmente limpo do que é impuro, entre o que pode alimentar a nossa alma e o que pode envenená-la. Podemos dizer que um crente que é cuidadoso com o que lê, escuta e vê, mantém-se limpo deste mundo. Deus quer o Seu povo limpo. Assim este capítulo tem uma boa instrução para nós. A Palavra de Deus é alimento limpo, leia 1 Pedro 2:2, onde "racional" significa "puro". 

A razão solene para esta separação rigorosa encontramos no versículo 45 do nosso capítulo: "para que sejais santos; porque Eu sou santo".



Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.





sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Levítico 11:1-28 - Vamos começar a falar de puro e impuro?



(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)



Os primeiros capítulos de Levítico envolvem a beleza e a santidade de nossa associação com o Deus vivo. Neste capítulo, começaremos a lidar com a questão da nossa associação com os outros no mundo.


Depois dos sacerdotes terem sido estabelecidos e o tabernáculo funcionando, eles precisavam conhecer a diferença entre o limpo e o impuro.  Nós somos sacerdotes diante de Deus. Também precisamos aprender essa diferença.  

Daqui até o capítulo 17, vamos encontrar sete partes, cada uma ensinando o que é limpo e o que é impuro de uma determinada coisa.  

Agora iremos falar de comida limpa e pura. Precisamos conhecer a diferença entre o limpo e o impuro nas coisas ao nosso redor. Qualquer coisa impura nos causará dano. 


A razão para algo ser proibido é simplesmente por causa de um significado espiritual, não que houvesse um mal na própria criatura. Isso é claramente visto em Atos 10:9-15 e em Atos 10:28. Em uma visão, o Senhor disse a Pedro para comer todos os tipos de animais. Pedro se opôs, mas o Senhor insistiu. Então ele percebeu que os animais impuros representavam pessoas, isto é, os gentios, como Pedro disse em Atos 10:28, que Deus lhe havia mostrado que não deveria chamar qualquer homem imundo. Antes da cruz, Israel era estritamente separado dos gentios porque os gentios eram considerados impuros para eles, mas o sacrifício de Cristo purifica todos os que confiam nEle como Salvador, sejam judeus ou gentios, portanto Deus removeu a barreira entre animais limpos e imundos, "porque toda criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças" (1 Timóteo 4:4).

 

Como o Senhor Jesus explica, não são as coisas que entram que contaminam o homem, “mas o que sai dele, isso é que contamina o homem” (Marcos 7:15). Portanto, esta distinção entre animais puros e impuros tem apenas aplicação espiritual para o cristão. Quatro grupos de animais são considerados neste capítulo: quadrúpedes, peixes, aves e répteis. Para ser considerado limpo, o primeiro grupo tinha que combinar duas condições: ruminar e ter o casco fendido. A pureza do crente depende do modo como ele se alimenta (estudo da Palavra) e, também, do modo como ele anda (obediência a Palavra). 


Indo um pouco além nestas duas características: (1) unhas fendidas (casco dividido) e (2) ruminar (versículo 3). As unhas fendidas permitem que o animal ande pela lama sem atolar nela. Assim, nossa comunhão não é com aqueles que estão ocupados em sua caminhada pelos assuntos desta vida, mas com aqueles que são dependentes da graça divina para suportá-los através do mundo, pois o item 2 (ruminar) fala de dependência em vez de autossuficiência, como o item 1 pode dar a entender.


Ruminar é típico do caráter da meditação, tomar tempo para digerir a verdade da Palavra de Deus. Assim como os cascos indicam a caminhada através do mundo, ruminar fala da preocupação com a honra de Deus. Estas duas características tornam o animal puro. Entre os exemplos dados, temos o camelo. Ele rumina, mas não tem o casco dividido, uma figura daqueles que demonstram honrar a Deus, enquanto sua caminhada é manchada pela lama do mundo. É possível ter a aparência de ser muito espiritual, mas é vaidade total, pois não há caminhada cristã, seus pés são incapazes de caminhar na senda da fé cristã.


Os suínos no entanto (versículo 7) tem a unha fendida, mas não ruminam. Há pessoas que aparentam ter capacidade de caminhar corretamente, concentram-se na retidão moral, mas ainda não tem o coração para aprender a Palavra de Deus, nenhuma meditação sobre a pessoa de Cristo que se senta à direita de Deus. Eles podem ter os pés que podem levá-los através da lama do mundo, mas em vez disso, embora eles possam até mesmo serem lavados (não salvos, mas externamente limpos), eles preferem voltar a chafurdar na lama (2 Pedro 2:22). Algumas denominações ou religiões demonstram enfatizar a moralidade, vangloriando-se em coisas como não beber ou comer isso e aquilo, mas o Senhor Jesus não é o objeto de seus pensamentos e a lama do ganho material normalmente é o seu foco. O crente é advertido para não ter qualquer comunhão com tais, nem camelos, nem suínos e outros.

 

Para os peixes, duas características também são necessárias: barbatanas e escamas. Sem barbatanas, como ele pode avançar? Como pode lutar contra a força da correnteza? Isso fala do conflito dos crentes tendo que gastar energia para progredir nas coisas de Deus. E sem escamas, o corpo não está protegido. Resistir à atração do mundo, sua forma de pensar, as suas comodidades e tudo que ele oferece é o meio pelo qual um jovem crente pode permanecer limpo. Como podemos ter comunhão espiritual com alguém que não tem qualidades espirituais? O Senhor chama de "abominação", portanto, deve ser repulsivo para um crente

 

As aves impuras eram aquelas que comem carne e que comem qualquer coisa sem distinção. Essas aves impuras são típicas do que é satânico (Mateus 13:4 e 19), pois Satanás é "o príncipe do poder do ar" e o “príncipe deste mundo”. Isso nos mostra que se alimentarmos nossa mente com o que vem da carne, se formos descuidados sobre o que lemos ou as situações apresentadas pelos meios de comunicação, seremos inevitavelmente contaminados por essas coisas. 

 

As aves limpas, porém, não eram proibidas, pois falam do que é genuinamente celestial, como é visto em Colossenses 3:2-3: "Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus". Aqueles que têm esta atitude são bons companheiros para os crentes. Há certas aves que são típicas do Senhor Jesus, algumas inclusive usadas nas ofertas, como em Levítico 1:14-17, rolinhas ou pombos. No batismo do Senhor Jesus, nos é dito que "Ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele" (Mateus 3:16). Este é um precioso contraste com Gênesis 15:11, onde os abutres desceram sobre as carcaças do sacrifício de Abrão com o objetivo de devorar seu sacrifício, assim como Satanás tenta destruir o valor do sacrifício de Cristo. Abrão, o homem de fé, expulsou os abutres.


Por fim, os répteis e os animais semelhantes, uma figura do poder do mal. É abominação! "Abominai o que é mau" é dito em Romanos 12:9. Insetos que voam, coisas rastejantes voadoras simbolizam aqueles que professam o que é celestial, mas comprometem isso com a mente terrena: suas vidas são, portanto, contraditórias. Filipenses 3:18-19 nos fala sobre estes, os muitos que "andam", isto é, fazem uma profissão de caráter celestial, mas realmente fixam suas mentes em coisas terrenas. O crente não deve ter comunhão com estes. No entanto, se o inseto tinha pernas articuladas com as quais podia saltar sobre a terra, isso era permitido como alimento. Pois, embora tivesse contato com a Terra, pode saltar acima do nível da terra, uma figura da fé que se eleva acima das circunstâncias. Estes podem nos alimentar.



Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.




 


quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Levítico 10:1-20


Para quem veio do arraial, e para quem quer permanecer fora dele!

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)


 

Fomos lembrados no capítulo 9 que os sacerdotes "tomado dentre os homens" podiam pecar, não que Deus permitisse, mas eles possuíam a capacidade de pecar. Infelizmente, não temos de ir muito longe para provar esta verdade e agora temos um fato humilhante - a fraqueza total do homem nesta nova relação de bênção à qual ele foi chamado. Toda vez que Deus colocou o homem em um novo relacionamento, nos revelamos incapazes de mantê-lo. Até aqui, todos os detalhes foram realizados "como o Senhor ordenara", (uma expressão repetida quatorze vezes nos capítulos 8 e 9). Mas agora Nadabe e Abiú, os dois filhos mais velhos de Aarão, fazem o que "o Senhor... não lhes ordenara" (versículo 1). Apenas consagrados, eles trazem fogo estranho perante o Senhor, não vindo do altar. O castigo solene e fulminante que se seguiu nos lembra do quão sério é substituir a Palavra de Deus por nossa própria vontade (veja 2 Samuel 6:3-7, o incidente da arca colocada em um carro novo, seguido pela morte de Uzá). Nenhuma palavra é dita sobre eles terem perguntado como fazer isso. Eles agiram segundo seus próprios pensamentos! 


Esta é sempre a diferença entre o que é de Deus e o que é do homem. Uma religião humana, instintivamente, dá desculpas para quem possui altos cargos em uma organização religiosa e permite certos erros, principalmente erros descritos na Palavra de Deus, para aqueles que a propagam. O cristianismo significa e se baseia no julgamento da carne, não em poupá-la - o evangelho de Cristo. Moralmente, para Deus, não há nada como a cruz de Cristo, é Deus agindo a nosso favor, bem como para Sua própria glória. Nada mais desonroso para Ele e nada menos saudável para nós do que profanar a verdade - vender indulgências. Somente o que Deus indicou é aceitável para Ele. O desagrado de Deus com Nadabe e Abiú foi imediatamente expresso. Em Levítico 9:24, Ele tinha enviado fogo para consumir o holocausto, sinal de Sua aceitação, mas este fogo consumiu os ofertantes, indicando a recusa de Deus de sua oferta. Embora Deus não tenha trazido o mesmo julgamento rápido hoje, quaisquer pretensões de adoração inventadas pelo homem são tão abomináveis para Ele quanto este fogo estranho.


Da mesma forma, pensamentos carnais que excitam as emoções (bebida forte) não são tolerados na adoração a Deus. Desprezar abertamente as verdades conhecidas traz o transgressor para o governo de Deus. Por outro lado, como mostra o fim deste capítulo, o Senhor é cheio de misericórdia para com os ignorantes e aqueles fora do caminho, bem como para com aqueles que se curvam sob Sua disciplina. 

 

Tudo o que Deus faz é perfeito, tudo o que Deus dá ao homem para fazer é rapidamente estragado. Toda a adoração a Deus deve ter a cruz de Cristo (o altar de bronze) como sua fonte. Usar qualquer coisa de nós mesmos (como tocar música, dançar, dar dinheiro, falar de nossa vida correta) rouba de Cristo a glória que pertence somente a Ele. 


Não devia haver tristeza pelos filhos mortos, pois morreram por causa da desobediência. As pessoas que acham que isto não foi correto não estão, elas mesmas, obedecendo a Deus. Ninguém é tão sábio quanto Deus. Moisés instruiu Aarão e seus dois filhos restantes para que não descobrissem suas cabeças e não rasgassem suas roupas (o que em Israel era sinal de luto). Não era coerente com o caráter sacerdotal mostrar sinais de luto, pois o sacerdote é aquele que se aproxima de Deus, em cuja presença o luto não tem lugar. Os sinais exteriores de luto pela morte são proibidos para os sacerdotes. Certamente a ocasião foi séria, e testou plenamente este princípio. O resto do povo de Israel poderia chorar por Nadabe e Abiú, mas aos sacerdotes foi dito para permanecerem no tabernáculo porque o azeite da unção do Senhor estava sobre eles. O azeite é típico do Espírito Santo, cujo poder é tal que eleva a alma acima de todas as circunstâncias de tristeza. Assim, podemos aprender que hoje, na presença do Senhor (o lugar santo), onde o Espírito de Deus permeia a atmosfera, podemos subir acima das dores da terra, em santa confiança e paz.


No capítulo 6 de Números, lemos daqueles que se tornaram Nazireus por um determinado período de tempo. Eles se devotaram ao Senhor abandonando certas coisas. Aqui vemos algumas delas. O vinho produziria excitação natural. Para nós, crentes, hoje, significa que nada do que é natural pode ter qualquer parte na adoração a Deus. Somente a presença de Deus deve ser sentida. Existem muitos que são estimulados por emoções, sentimentos, música, danças, entre outros. Isso não é adoração. 


Vemos também Moisés instruindo Aarão, Eleazar e Itamar a comerem, sem fermento, tudo o que restava das ofertas de manjares. Deus havia decidido isso, e tudo o que Deus nos fornece de maneira espiritual devemos responder nos apropriando disso. O peito da oferta movida e a espádua da oferta alçada são especificamente mencionados (versículo 14). Os sacerdotes assim entravam nas afeições de Cristo como glorificado no céu (o peito movido) e no “poder de Sua ressurreição" (a espádua alçada). Toda a família dos sacerdotes deveria participar nisso, tanto as filhas como os filhos, assim como toda a família sacerdotal de hoje (todos os santos) é chamada para desfrutar dessa bênção espiritual. A repetição do versículo 15 reforça a importância dessa disposição, da qual a família sacerdotal era responsável.


Contudo, no versículo 16, nos diz que Moisés perguntou sobre o bode da oferta de expiação, ele descobriu que tudo tinha sido queimado. Isso o fez irar-se com Eleazar e Itamar, questionando por que eles não tinham comido esta oferta (versículo 16). Esta oferta era para o povo, e os sacerdotes comendo-a simbolizava o fato dos sacerdotes entrarem e sentirem a culpa do povo como sendo sua. Isto é o que o Senhor Jesus fez na forma mais completa, Ele levou essa culpa sobre Seus próprios ombros na cruz. Todo crente hoje deve ter essa mesma atitude. Isso nos tornará verdadeiros intercessores em vez de críticos.



Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.




 


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Levítico 9:1-24


(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)
 
 
A Epístola aos Hebreus mostra o Sumo Sacerdote adequado para nós, "santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores...” (Hebreus 7:26). Que contraste com Aarão, o sacerdote “tomado dentre os homens" mencionado na mesma epístola, que tinha a necessidade de oferecer sacrifícios pelo pecado não só do povo, mas também "por si mesmo" (Hebreus 5:1-3). Isso é o que vemos ele fazendo aqui. Antes de poder se ocupar com os pecados do povo, Aarão é obrigado a resolver diante de Deus a questão dos seus próprios pecados. É um princípio geral cuja importância o Senhor nos lembra no "sermão da montanha". Para ser capaz de tirar o argueiro que está no olho do seu irmão, é necessário primeiro tirar a trave no próprio olho (Mateus 7:3-5). 
 
O final do capítulo nos mostra que, feita a propiciação e resolvida a questão do pecado, a bênção pode vir para o povo através do Autor da propiciação, a glória de Deus pode ser manifesta e a alegria pode ser expressa livremente. Tais são também as bem-aventuradas consequências da cruz de Cristo para o povo de Deus hoje. Que Deus nos ensine a apreciá-las e a responder da mesma maneira! 
 
Tendo terminado as oferendas, Arão então levanta as mãos para abençoar o povo, o que nos lembra o Senhor Jesus em Lucas 24:50, tendo concluído Sua obra de redenção, levantando Suas mãos abençoou aos discípulos. A base de toda a bênção, a aceitação do sacrifício do Senhor Jesus.

Então Moisés e Arão entraram no tabernáculo (versículo 23), típico do Senhor Jesus entrando no céu após Sua ressurreição; mas saindo novamente, e mais uma vez abençoando as pessoas. A primeira bênção fala à Igreja imediatamente após a ressurreição do Senhor, e isso continua durante todo o tempo em que o Senhor Jesus está exaltado no trono do Pai. Mas Ele voltará a surgir no tempo em que Israel será abençoado com a maravilhosa bênção milenial. Moisés é uma figura de Cristo como governante e Aarão como Sumo Sacerdote, pois no dia seguinte Israel o reconhecerá como Rei e Sacerdote, assim terá tanto a bênção do governo quanto a da mediação – função do sacerdote, mediador entre Deus e os homens. A semana da consagração acabou, o oitavo dia estabelece o tempo da glória da ressurreição, o começo de um novo período de tempo.

Isso é seguido de um acontecimento ainda maior, o aparecimento da glória do Senhor aos olhos de todo o povo. Só é possível ver a glória de Deus sem ser consumido pelo juízo divino depois de ter resolvido a questão do pecado. Assim como na época de Sua vinda em glória majestosa, todo o mundo será subjugado pela luz de Sua manifestação. Para isso, saiu fogo de diante dEle para consumir o holocausto e a gordura no altar. Assim, Deus indicou Sua aceitação da oferta e Ele mesmo foi glorificado. Foi a mão de Deus que acendeu o fogo sobre o altar para consumir o holocausto, fogo que nunca se apagaria. Foi o fogo de Deus e não o fogo do homem que consumiu o sacrifício (versículo 24). 

De duas maneiras as pessoas foram afetadas por isso. Primeiro, eles gritaram, indicando sua apreciação do que era manifestamente a vitória do Senhor (Números 23:21). Em segundo lugar, eles caíram sobre as suas faces, mostrando humilhação voluntária de si mesmos diante Dele, subjugados pelo reconhecimento de Sua majestade.


Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.





 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Levítico 8:22-36

 



(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)
 
 
Neste capítulo, encontramos novamente Arão e seus filhos juntos e isso eleva os nossos pensamentos Aquele que não se envergonha de nos associarmos a Ele e nos chamar Seus irmãos. Que Deus nos guarde em todos os nossos modos e caminhos de sermos vergonha perante o mundo do nosso relacionamento com Jesus (2 Timóteo 2:13). 
 
Nestes capítulos, muitas vezes se fala de ofertas movidas. Virar um objeto permite que ele seja totalmente visto por todos os lados. Somos, assim, convidados a apresentar para Deus todos os aspectos do sacrifício excelente que trazemos diante Dele, falando de Jesus em todas as suas diferentes glórias e da Sua obra em seus diferentes caráteres. 
 
O peito do carneiro da consagração, a parte especial de Moisés, também era movido. Portanto, somos capazes de admirar em seus muitos aspectos as afeições de Cristo que eram a fonte e o poder de Sua consagração a Deus. "Eu amo o Pai", disse Jesus, "faço como o Pai me mandou" (João 14:31). Em nossas vidas, a mesma causa produzirá o mesmo resultado. Só o amor despertará a verdadeira consagração, em outras palavras, um profundo sentimento de que o Senhor tem todos os direitos sobre nossos corações e é digno de completa devoção. 

O carneiro da consagração. Aarão e seus filhos devem ser completamente para Deus. E assim é com todos os crentes hoje (reconhecemos o descuido que está por toda a parte entre os crentes, mas isto explica porque somos tão fracos). O versículo 24 estende os direitos do Senhor sobre nossas orelhas, nossas mãos e nossos pés, figuras da obediência, atividade e caminhar.  
Orelha (o que se ouve – acima de tudo, ouvir a Palavra de Deus),  
polegar (o que é feito – suas obras devem ser consagradas a Deus),  
pés (onde a pessoa vai – sua caminhada também consagrada a Ele).  
Tudo deve ser para o Senhor. O ouvir, o fazer e o caminhar era absolutamente verdade no Senhor Jesus, assim é absolutamente verdade para os crentes desde sempre. Consagração significa estar devotado a uma pessoa ou algo. Que possamos viver consagrados a Cristo em nossa vida! 

A consagração completa dos sacerdotes é realizada quando Moisés aspergiu o azeite da unção sobre Arão e suas vestes, e sobre seus filhos e suas vestes. Assim Aarão foi ungido duas vezes, primeiro sozinho (versículo 12), depois junto com seus filhos. Sua primeira unção é típica de Cristo sendo ungido pelo Espírito quando João o batizou (Mateus 3:16). Sua segunda unção é típica do que Pedro fala em Atos 2:33. Quando Cristo foi exaltado à direita de Deus, Ele recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, o que Ele imediatamente compartilhou com Seus santos, enviando-o no Pentecostes.

Cristo recebeu o Espírito antes de Seu sacrifício, mas os santos de Deus somente puderam recebê-Lo depois que Cristo derramou Seu sangue por eles. Nossos pecados devem primeiro ser limpos pelo Seu sangue antes que o Espírito possa vir a nós. O próprio Cristo, sendo sem pecado, recebeu o Espírito sem o derramamento do Seu sangue; mas depois, para se identificar com os Seus santos em graça, compartilhou o valor de Seu sangue derramado com eles e o dom do Espírito Santo. 
 
Com tudo feito, os sacerdotes ainda não tinham permissão para fazer qualquer serviço para o povo: foram ordenados a permanecer no tabernáculo. “...da porta da tenda da congregação não saireis por sete dias” (versículo 33). Nas escrituras, o número 7 significa algo espiritualmente completo. Costuma estar relacionado ao bem e à perfeição. Deste modo, isto nos fala de nossa total separação do mundo, e para Deus. Palavras sérias para considerarmos. Deus exige santidade de cada crente. Eles devem primeiro aprender o que significa estar no lugar da comunhão com Deus antes de realizarem qualquer serviço, seja para Deus ou para outras pessoas. Como isso é verdade para nós também. Somente estando em uma comunhão calma e sustentada com Deus podemos estar preparados para representá-lo corretamente neste mundo. Isso era tão importante que, se desobedecessem, eles estariam sujeitos a pena de morte (versículo 35). No versículo 36, porém, nos é dito que Arão e seus filhos fizeram todas as coisas que o SENHOR ordenara.


Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.