sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Levítico 14:33-57, 15:1-33


(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

 
Como no caso da roupa, parece estranho que a lepra possa estar literalmente presente em uma casa. Nenhum exemplo disso está registrado nas escrituras. Portanto, mais uma vez o significado espiritual deve ser o assunto de real importância. 

A lepra na casa é uma figura do pecado em uma assembleia, incluindo a que leva o nome de igreja, a cristandade na sua totalidade. Era necessário uma casa pura. Vamos aplicar a "casa" duas passagens, 1 Timóteo 3:15 e 2 Timóteo 2:20, e pensarmos nos cristãos reunidos ao nome do Senhor Jesus Cristo em uma cidade. A "casa" deve ser mantida pura de todo mal; doutrinário, eclesiástico ou moral. Como um testemunho coletivo, reunido pelo Espírito Santo para manter Sua unidade (Efésios 4:3), a verdade deve ser guardada, o erro deve ser removido. Um olhar mais atento sobre a igreja em Éfeso, no capítulo 2 de Apocalipse, não discernirmos, mas o Senhor, o Sumo Sacerdote cujos olhos são como chama de fogo, já percebe que há uma pequena mancha: a perda do primeiro amor. Todo o mais parece bom: trabalho, obras, paciência; mas veja o que acontece com esse pequeno começo: a verdadeira lepra em Pérgamo, onde certas pedras da casa estão contaminadas com a "doutrina de Balaão", outras com a dos nicolaítas. Em seguida, o mal se desenvolve como fermento em Tiatira, em Sardes, até que em Laodiceia, que representa o estado final da Igreja responsável, o Senhor é obrigado a anunciar: "vomitar-te-ei da minha boca" (Apocalipse 3:16). Laodicéia professa ser a Igreja de Deus, mas é composta apenas por incrédulos. É claramente uma casa leprosa. A "grande casa" da cristandade professa será rejeitada, demolida. 
 
No versículo 34 do capítulo 14, é bom notar a expressão "Quando tiverdes entrado na terra", e não "se". Era uma certeza absoluta, ainda que Israel tivesse que vagar durante 40 anos pelo deserto por não terem crido nesta afirmação (Números 13 e 14). Estamos desfrutando de nossa vida celestial na qual já vivemos aqui na terra? 
 
Levítico 15 desenvolve o tema da contaminação. A figura do “fluxo” nos mostra tudo em nossa vida cotidiana que o nosso caráter natural detestável é capaz de permitir manifestar para envenenar tanto as coisas ao nosso redor como a nós mesmos. Graças a Deus existe o remédio para nos purificar disso: é o sacerdócio exercido em nosso nome pelo Senhor Jesus (versículo 15 e 30).  
 
Como a lepra fala da eclosão do pecado, ela exigia um tratamento rigoroso. Nada disso é indicado no capítulo 15, mas sim a fragilidade do corpo humano em sofrer os efeitos da contaminação do pecado através de Adão, nosso primeiro pai. Não somos de modo algum responsáveis pela natureza pecaminosa que herdamos pelo nascimento, embora sejamos responsáveis por permitir que essa natureza se manifeste em ações pecaminosas. Os fluxos aqui mencionados não eram evitáveis, mas serviam para lembrar que herdamos uma natureza pecaminosa de Adão. Portanto, o processo de limpeza não era como no caso da lepra.

Não sabemos quão plenamente o povo obedeceu as ordens dadas aqui, pois em muitos casos a enfermidade só seria conhecida pelo indivíduo. No entanto, as instruções dadas quanto à restauração são de grande valor para nós hoje. Nossas próprias enfermidades nos lembram que desde nosso nascimento possuímos uma natureza pecaminosa, de modo que os pássaros que estão sendo oferecidos para a purificação insistem no valor do sacrifício de Cristo como um meio de satisfazer nossa condição pecaminosa. Nossas enfermidades precisam da graça compassiva do Senhor Jesus para que possamos ser elevados acima delas. Os sumo sacerdotes, tirados de entre os homens, estavam "cercados de enfermidade" (Hebreus 5:1-2 – Versão Darby), mas isso não era verdade para o Senhor Jesus, que é o nosso grande Sumo Sacerdote. O pecado não tinha lugar em Sua natureza. Não é que Ele apenas “não pecou”, mas nEle não há pecado (1 João 3:5).

Neste capítulo então chegamos aos bons hábitos. Deus é santo, e Ele quer que todo o Seu povo seja puro. Naqueles dias, lembre-se, eles estavam sob a lei. Hoje estamos sob a graça. Deus veio ao mundo na Pessoa de Seu amado Filho. O Senhor Jesus morreu na cruz para nos limpar, para sempre, de todos os nossos pecados. Mas agora que já recebemos a Cristo como Salvador, devemos nos manter limpos em nossa vida. A limpeza diária pela água (da Palavra de Deus) é necessária para nos manter em comunhão com nosso Pai (Efésios 5:26). 


Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX





 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Levítico 14:14-32


Levítico 14:14-32

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

 

 

Agora começa o longo processo de se passar pelas diferentes ofertas que são descritas nos primeiros 7 capítulos deste livro. Quando aceitamos o Senhor Jesus como nosso Salvador, somos purificados para sempre de nossos pecados. Mas agora que estamos limpos, não significa que podemos viver como antes. Agora nossa vida não pertence a nós, pois fomos comprados com o preço do sangue de Cristo. Leia o que diz após a palavra "Porque" em 1 Coríntios 6:19-20.

 

"Será limpo", concluem os versículos 9 e 20. Aqui, novamente, não importa a opinião do leproso purificado. Deus declara puro e santo o pecador nascido de novo para quem esta palavra deve ser suficiente, mesmo que ele não sinta nenhuma emoção, nem sentimento especial. "Haveis sido lavados... santificados... justificados em nome do Senhor Jesus", diz a Palavra em 1 Coríntios 6:11. A salvação depende do poder purificador do sangue de Cristo, mas a comunhão com Deus depende da obra purificadora de Cristo. Sangue e água (Hebreus 10:22).

 

Assim como os pássaros, uma figura da obra de Deus por nós, faltavam outras duas coisas da Sua obra em nós: a água, o poder purificador da Palavra, e a navalha. O leproso raspava seu cabelo, barba e sobrancelhas. Tudo o que recordava a força natural do homem era descartada. Este é o trabalho do Espírito Santo, que nos leva a julgar o que nossa velha natureza produz, é chamado de libertação.

 

O sangue do sacrifício era aplicado na orelha (o que ouvimos), na mão (o que fazemos), no pé (por onde andamos) do leproso purificado, exatamente como tinha sido feito com o sacerdote no dia da sua consagração (Êxodo 29:20) e isso tinha que ser feito com o azeite. Como diz o versículo 14, como um “que tem de purificar-se”, isso indica que a limpeza tem um efeito prático sobre como e o que uma pessoa ouve, sobre o que faz com suas mãos e como anda. Mas, além disso, o leproso era ungido com o restante do azeite na cabeça (o que pensamos) (versículo 18). Surpreendentemente, o leproso era o único em todo o Israel, juntamente com reis e sacerdotes, que recebia esta santa unção, figura da operação do Espírito Santo no coração dos remidos (1 João 2:20), o poder pela qual o “ouvir” toma a verdade, o poder pelo qual as ações são feitas corretamente e pelo qual a caminhada é corrigida.

 

Até aqui, a oferta da culpa destaca primeiro a necessidade de conhecer os detalhes da prática pecaminosa (tipificada na lepra), enquanto a oferta pelo pecado trata do pecado como o princípio odioso do mal que corrompeu nossa própria natureza. O holocausto é o que dá toda a glória a Deus no sacrifício do Senhor Jesus, porque Deus é a fonte de todas as bênçãos na restauração. A oferta de manjares nos lembra que o Único que poderia ser uma oferta satisfatória para o pecado deve ser um verdadeiro homem sem pecado, típica da pureza dos detalhes de toda a vida do Senhor Jesus - totalmente em contraste com a lepra. Todas estas coisas estão, portanto, envolvidas no nosso ser limpo da imundície do pecado. Quando Deus trabalha Ele faz uma obra completa.

 

Já vimos uma exceção feita por causa da pobreza (Levítico 5:7), e isso se aplica no caso da restauração de um leproso. Se não era possível trazer três cordeiros, ele pode trazer apenas um cordeiro como oferta pela culpa, um décimo de efa de flor de farinha misturada com azeite como oferta de manjar, um logue de óleo e dois pássaros para substituir os dois cordeiros.

 

O ritual era o mesmo que no primeiro caso, mas as aves tomaram o lugar dos cordeiros na oferta pelo pecado e no holocausto. Nisto se vê uma figura da pobreza de compreensão quanto à oferta pelo pecado e o holocausto. Existem muitos que são muito pobres espiritualmente para perceber corretamente como o pecado é tratado e condenado no sacrifício de Cristo, e eles têm apenas uma pequena compreensão de que o sacrifício é sobretudo para a glória de Deus (o holocausto). Como é bom ver o cuidado de Deus para com os fracos.

 

De pecadores perdidos, agora lavados em seu sangue, Cristo fez um reino de “sacerdotes para Deus” (Apocalipse 1:6 – Versão Darby, para ser mais preciso, “reino sacerdotal”), a Ele, glória e poder para todo o sempre. Amém!

 

 

Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.




quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Levítico 14:1-13

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

 

 

Lembre-se de que a lepra, nas Escrituras, é uma figura do pecado. Não existia cura conhecida para isso. No capítulo que começamos a estudar hoje, porém, o homem que tinha lepra era declarado limpo. Aqui está algo maravilhoso, a história que será lida agora é a história (em figura) da morte e ressurreição de Cristo! Ninguém além de Deus poderia ter inspirado um Livro como a Bíblia. 

 

O dia da purificação do leproso chegou. Ele era levado diante do sacerdote. Vamos observar o papel discreto, mas indispensável que desempenha a pessoa que traz o homem doente para quem vai declará-lo limpo. É precioso ser usado por Deus para conduzir os pecadores ao Senhor Jesus. É um serviço que até mesmo um jovem cristão pode fazer (João 1:40-42, 45-46). 

 

Mas se o sacerdote ficasse no tabernáculo ou no arraial, o leproso, que tinha sido posto fora, nunca teria sido capaz de encontrá-lo. O sacerdote, portanto, saia do arraial (versículo 3). Para encontrar o pecador, Jesus deixou a glória. Nós não poderíamos dar um passo em direção a Ele, sendo assim, Ele veio todo o caminho para chegar até nós. Como poderia o filho pródigo ter entrado na casa de seu pai sujo e em trapos? Seu pai saiu ao seu encontro e o vestiu com a melhor roupa enquanto ele ainda estava lá fora. 

 

Seguem os detalhes do processo de purificação, os dois pássaros juntos nos falam do remédio divino aplicável ao pecado de todo homem: a morte do Senhor, o primeiro pássaro era morto; Sua ressurreição, a segunda ave voava para longe, marcada com o sangue que levava consigo para o céu para coloca-la, simbolicamente, diante dos olhos de um Deus satisfeito. 

 

Aqui está a parte maravilhosa da história. Primeiro, dois pássaros vivos e limpos são trazidos ao sacerdote. As aves falam de Cristo, a primeira representa seu sacrifício no Calvário. O vaso de barro nos lembra que Ele veio em um corpo humano (um vaso) humilde para ser um sacrifício voluntário. Água corrente ou "água viva" simboliza o poder vivo do Espírito de Deus energizando esse sacrifício maravilhoso, de modo que a vida triunfasse sobre a morte. É maravilhoso vermos estes 2 pássaros como figuras do Senhor Jesus na morte e ressurreição. Um pássaro é morto, o pássaro vivo é mergulhado no sangue do pássaro morto (assim como os outros 3 itens mencionados). O pássaro vivo (com sangue sobre si) é solto em campo aberto (a ressurreição de Cristo). Em Romanos 4:25 você encontrará estes dois pássaros (em figura).


Depois, outros 3 itens incomuns precisam ser trazidos também... (versículo 4) (1) madeira de cedro, nas Escrituras, uma figura da força e estabilidade (Salmo 92:12), (2) carmesim, grandeza terrena e realeza de Israel. Veja em Êxodo 39:27-29 as vestes de glória e beleza do Sumo Sacerdote. (3) Hissopo, uma pequena flor que crescia abundantemente nos muros (uma figura de humildade), frequentemente utilizada para aspergir o impuro (Êxodo 12:22). Alto ou baixo, rico ou pobre, a obra de Cristo foi necessária para todos e suficiente para todos; O sangue pulverizado em todas essas coisas nos diz que na ressurreição a cruz nunca pode ser esquecida e a grande bênção que Cristo realizou para Si em unidade com Seu povo comprado pelo sangue depende do Seu sangue derramado no Calvário. O leproso é aspergido 7 vezes e assim sucede com o crente que é coberto pelo sangue de Cristo e permanece em total aceitação de Cristo diante de Deus – Hebreus 10:14. Isto nos dá paz com Deus. Assim, como o pássaro vivo é libertado, todos os crentes são abençoados na liberdade que pertence a Cristo na ressurreição.


O leproso era limpo pela água e pelo sangue. Leia João 19:34 e 1 João 5:6. 

 

A salvação depende do poder purificador do sangue de Cristo, mas a comunhão com Deus depende da obra purificadora de Cristo. Sangue e água (Hebreus 10:22).



Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.





 

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Levítico 13:45-59

 

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

 

 

Era terrível a condição dos leprosos em Israel. Eles eram colocados fora do acampamento sem a esperança de algum dia voltar, separados de seu próprio povo, obrigados a proclamar de longe a sua condição miserável: "Imundo, imundo". Isto se compara com um caso do Novo Testamento de alguém tão seriamente envolvido com o pecado que ele deve ser colocado fora da assembleia (1 Coríntios 5:11-13). 


Excluídos da congregação, é uma imagem do que éramos, pessoas das nações, "separados da comunidade de Israel... Não tendo esperança... sem Deus no mundo". "Mas agora", anuncia o apóstolo, "vós... que estáveis longe... pelo sangue de Cristo chegastes perto" (Efésios 2:12-13). Isto nos leva a obra de purificação descrita em Levítico 14. Os Evangelhos nos mostram diversos destes pobres leprosos implorando piedade do “Mestre”. E Jesus, nosso Salvador, cheio de compaixão, pôs as mãos sobre eles para purificá-los sem ser contaminado por esse contato. E não somente isto, mas em Seu amor Ele estava disposto a torná-los perfeitamente limpo (Mateus 8:1-3, Ver também Lucas 17:11 em diante). Da mesma forma este querido Salvador pode e quer, ainda hoje, purificar todos os pecados de quem se reconhece impuro.  

 

O pecado pode estar nas circunstâncias que nos cercam. Se aparecesse apenas uma mancha, as vestes deviam ser lavadas. Que coisa maravilhosa é quando um crente se mantém imaculado do mundo (Tiago 1:27). Enquanto nós crentes estamos no trabalho ou na escola somos manchados pelo contato com o mundo. Se apenas escutamos as coisas, mas não nos envolvemos com elas, é como a mancha do versículo 58. Mas repare quantas vezes precisava ser lavada. A lepra na cabeça (versículos 29 a 37) pode ser uma figura do pecado de pensarmos nossos próprios pensamentos (2 Coríntios 10:5-6). 

 

Lepra em uma peça de vestuário (versículos 47 a 59) representa o mal que pode se insinuar em nosso caminho, em nossos hábitos e em nosso testemunho. Pode parecer estranho que a lepra possa aparecer em uma peça de roupa, e evidentemente não há nenhum caso real disso registrado nas escrituras, de modo que o significado espiritual disso parece ser o tema para nós. A roupa fala, não da pessoa, mas dos hábitos. Se algo parecia suspeito na roupa, o sacerdote devia ter o mesmo cuidado no exame como no caso de uma pessoa (versículos 50 e 51) e se a praga fosse confirmada como lepra, a peça deveria ser queimada. Assim, devemos ter discernimento sacerdotal quanto aos hábitos que possamos adotar. Eles podem parecer inicialmente bastante inocentes, mas sintomas alarmantes podem aparecer. Se o hábito tem pecado claramente envolvido nele, devemos julgá-lo e recusá-lo totalmente.


Em alguns casos, pode haver apenas um elemento no hábito que é questionável, de modo que, como uma peça de vestuário que pode ser arrancada (versículo 56), assim o elemento questionável em qualquer hábito deve ser expurgado. Mas depois disso, a praga poderia aparecer novamente na roupa, e se assim fosse, ela deveria ser queimada. Assim, se em um certo hábito o pecado irrompe pela segunda vez, o hábito deve ser plenamente julgado e recusado.


Devemos contar com Deus sempre e para tudo. Quando você vê um homem cheio de uma profunda sensação de pecado se curvando a Deus, podemos ficar seguros que haverá bênção. O pecado impede a percepção da graça de Deus e mantém a incerteza, ele faz o homem se esforçar para aliviar, cobrir e corrigir a si mesmo, em vez de confessar seus pecados a Deus. Esse esforço apenas perpetua esperanças vãs, nega a extensão da ruína do homem e exclui toda a misericórdia de entrega à Deus. 

Todos estes 59 versículos deveriam marcar em nós a importância, do ponto de vista de Deus, de nos mantermos limpos. Que o Senhor nos dê a vigilância, a fim de confessarmos a Ele nossos pecados e a coragem de "queimá-los", em outras palavras, julgá-lo assim que ele aparecer. 



Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.





segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Levítico 13:29-44

 

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

 

 

Agora vamos tratar da questão da suspeita de lepra na cabeça ou na barba. A suspeita era examinada e se a lepra fosse confirmada, a pessoa estava impura, do contrário ela era declarada limpa. A lepra na cabeça fala do intelecto sendo afetado, por engano, pela doutrina que é uma perversão da verdade. Se fosse apenas uma questão de alguém estar enganado, isso poderia ser corrigido, mas se alguém está empenhado em manter uma doutrina gravemente falsa e depois de trabalhar para tentar corrigir, o “doente” está determinado a não mudar, então ele é declarado impróprio para a comunhão com os crentes.


Em determinados pontos, certas doenças da pele, podem induzir ao erro. O doente era então encerrado por sete dias e depois examinado para comprovar se uma ferida de lepra estava presente ou não. Nunca julguemos precipitadamente! Que possamos ter o cuidado de pensar bem dos outros antes de atribuir maus motivos a eles desde o início. O amor “não suspeita mal" (1 Coríntios 13:5). Observe que o doente não deu a sua opinião. Era o sacerdote que via e, em seguida, declarava a natureza da ferida. Não importa o que o homem pensava de si mesmo. Ele não podia sentir nada, podia até mesmo acreditar que estava saudável, mas o tempo todo estava gravemente doente.  

 

Quantas pessoas não sabem que são vítimas da doença do pecado. Nunca consideraram a sua condição à luz da Palavra de Deus; nunca se apresentaram ao Sacerdote. É Ele quem estabelece a culpa do homem e o declara irremediavelmente perdido. "Afastai-vos, pois, do homem... porque em que se deve ele estimar?" (Isaías 2:22). Mas o Sacerdote que anuncia nossa condição é também Aquele que se ocupa dela em graça, como o Grande Médico que deu uma cura completa para nossas almas (Lucas 5:31). 



Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.


 



quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Levítico 13:9-28

 

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)


 

Para que a lepra pudesse ser diagnosticada, o doente tinha que apresentar dois sintomas: pele branca, uma figura do declínio espiritual derivado da perda de comunhão com o Senhor. A mancha mais profunda na pele indicando que não se trata de um defeito superficial e revela um mal profundo. Mas aqui encontramos um paradoxo: enquanto uma única mancha era suficiente para estabelecer a impureza do leproso, a partir do momento em que ele se encontrava totalmente coberto com a doença podia ser considerado limpo! Essa é a maneira. Pode parecer estranho, mas o significado espiritual é muito importante, pois fala de alguém que julgou totalmente o pecado da carne em si mesmo: ele está totalmente exposto diante de Deus.


Assim que o pecador ocupa o seu verdadeiro lugar perante Deus, todo o problema do seu pecado é resolvido. Desde que manifeste o seu verdadeiro caráter, desaparecem todas as dificuldades. Talvez tenha de passar por experiências difíceis antes de chegar a este ponto - experiências resultantes de se recusar a ocupar o seu verdadeiro lugar, ou seja, confessar "toda a verdade" sobre a sua pessoa. Porém desde o momento em que ele se decide a dizer, de todo o seu coração, "tal como sou" a graça de Deus se derrama sobre ele. "Enquanto eu me calei, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio" (Salmo 32:3-4).


Assim como o pobre leproso, que por tanto tempo foi obrigado a manter as áreas infectadas cobertas, agora já não era capaz de esconder coisa alguma, mesmo assim, quando um homem é forçado a confessar-se totalmente imundo, Deus pode declará-lo limpo em virtude da obra de Cristo. "Confessei-te o meu pecado e a minha maldade não encobri... e Tu perdoaste a maldade do meu pecado" (Salmo 32:5). Mas toda mostra de "carne viva" mostrava contaminação fresca: isto tipifica os esforços infrutíferos da velha natureza para melhorar a si mesma. O pecado contamina enquanto está encoberto, mas quando é trazido completamente à superfície pela confissão honesta e completa por parte do pecador, deixa de contaminar. Na confissão o pecador julgou a si mesmo e o poder de propagação e difamação de seu pecado é quebrado. "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar... Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso" (1 João 1:9-10).


O Novo Testamento também nos ensina a discernir um caso de outro. Em Gálatas 6:1 não é um caso grave de alguém que se habituou a ser devasso, avarento, idólatra, maldizente, beberrão ou roubador (1 Coríntios 5:11). No primeiro caso, é preciso a ajuda restauradora dos irmãos; no segundo é necessário que ele seja afastado da comunhão dos santos com o objetivo de recuperação. Alguns casos são claros, outros mais difíceis e exigem um discernimento especial. Por esta razão, era dado tempo ao sacerdote para ter certeza quanto ao caso (versículo 21). Se depois do tempo houvesse propagação, a pessoa estava impura; caso não, o sacerdote o declararia limpo (versículos 22-23). O discernimento sacerdotal deve ser capaz de reconhecer uma mudança favorável na atitude de alguém que antes estava em má condição.


Em Lucas 5, um homem "cheio de lepra" chega a Jesus e pede: “se quiseres, bem podes limpar-me”. O Senhor o “limpa” e o ordena a dar testemunho Dele, cumprindo com as instruções do capítulo 14 deste nosso estudo.  

   


Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.





terça-feira, 8 de setembro de 2020

Levítico 12:1-8 e 13:1-8

 

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

 

 

Para mostrar que os recursos divinos são fornecidos antes do aparecimento do pecado, Levítico considera os sacrifícios e o sacerdócio antes do pecado. O capítulo 11 nos ensina a ficarmos atento para não sermos contaminados por impurezas externas. Mas o mal não está somente em torno de nós, está igualmente em nós; nosso inimigo já está dentro. O Capítulo 12 nos torna conscientes do seu caráter hereditário: "Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe" (Salmo 51:5). 

A natureza pecaminosa de Adão foi transmitida a toda a sua raça; uma criança recém-nascida é um pecador em potencial antes de cometer qualquer ato culpado; sendo assim, ela precisa tanto do sacrifício de Cristo como um adulto. O nascimento de uma criança deveria ser um gozo e uma bênção. Mas isso foi antes da queda de Adão e Eva. Agora leia Gênesis 3:15 e veja o resultado do pecado que Eva cometeu. O pecado nunca fica sem castigo. O nascimento de uma criança, por causa do pecado de nossos primeiros pais, tornou agora a mulher impura - sob a lei. O Senhor Jesus levou a maldição da lei por nós, de modo que não estamos sob a lei, mas sob a graça (Gálatas 3:13 e 1 Coríntios 6:18-20). 


Cada criança nascida no mundo acrescenta o pecado que foi introduzido pela primeira vez pela mulher. Contudo, Deus havia dito para que Adão e Eva "fossem frutíferos e multiplicassem" (Gênesis 1:28) e esta instrução não foi alterada quando pecaram. Mas cada criança nascida é um lembrete de que o pecado exige um sacrifício. Assim, em Israel, quando uma mulher tinha um filho, ela ficaria impura por sete dias. No oitavo dia, o filho seria circuncidado. O número oito significa um novo começo, que ocorre quando a carne é cortada, pois "a carne para nada aproveita" (João 6:63).


Então ela permaneceria 33 dias "no sangue de sua purificação" (versículo 4). Mas se tivesse uma menina, o tempo era duas vezes maior, duas semanas impura e 66 dias até que a purificação fosse realizada. Isso porque "Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão" (1 Timóteo 2:14), e é através da mulher que a raça dos pecadores é perpetuada.


Isso feito, seja para um menino ou menina, a mãe devia trazer ao sacerdote uma oferta pelo pecado (versículo 6). Observe aqui que não havia oferta pela culpa, pois não era uma questão de ter feito algo de errado. Mas a oferta pelo pecado trata da natureza pecaminosa que é herdada pelo nascimento, de modo que esta oferta fala de Deus ter, pela cruz de Cristo, condenado o pecado na carne (Romanos 8:3). O holocausto nos diz que a glória de Deus é realmente a primeira consideração neste assunto. Quando Deus é glorificado e o pecado é condenado, o impuro é purificado (versículo 7).


Os capítulos 13 e 14 tratam da lepra, sempre uma figura do pecado em seu caráter de mancha, impureza, contaminação. A Lepra ou Hanseníase é uma doença que destrói o corpo, é contagiosa e incurável, repugnante a vista e enfraquece a sensibilidade do tato. A lepra era encontrada em pessoas, vestes e casas. Romanos 5:12 nos fala que a morte entrou no mundo pelo pecado. Portanto, a lepra era como o pecado atuando na carne.

No capítulo 12 vimos a natureza pecaminosa da humanidade sendo tratada; agora o capítulo 13 considera o que fala da erupção da natureza na atividade pecaminosa. Pois, embora não sejamos responsáveis por ter uma natureza pecaminosa, somos responsáveis se permitimos que ela se rompa em ações pecaminosas, e hoje aqueles que formam uma assembleia são responsáveis por discernir e julgar o mal quando ele se desenrola entre eles, isso coletivamente, e nós, individualmente, somos responsáveis por discernir e julgar o mal em nós.


Observe que não era o médico, mas o sacerdote, a pessoa que podia falar a verdade acerca disso. Não era algo fácil de se detectar. Para o crente, a pessoa que vive próxima ao Senhor, fica mais fácil detectar o pecado (Hebreus 5:14, 1 Coríntios 2:14). Por isso, aqui Aarão (uma figura de Cristo) ou o filho de Aarão (uma figura de um crente vivendo próximo ao Senhor) podia decidir se era ou não lepra. Na assembleia, os que investigam tais coisas devem ser aqueles que têm experiência e discernimento piedosos, e que "tenham compaixão dos ignorantes e errados, pois eles mesmos também estão rodeados de fraqueza" (Hebreus 5:2). Se a carne aparecesse, era lepra. Quando a carne (a velha natureza) está ativa em nós, o pecado está em atividade. Isso fica evidente. 

 

Se algo aparecesse na pele de um indivíduo e dois sintomas fossem evidentes, “se o pelo na praga se tornou branco, e a praga parecer mais profunda do que a pele da sua carne” (13:3) não restava dúvida alguma: era lepra. O pelo branco fala da decadência da força espiritual e a praga mais profunda do que a pele indica que o pecado não é meramente um caso leve.

Se o homem estivesse todo branco - era como uma pessoa hoje que confessa que não existe nada de bom nela, mas apenas pecado - então estava limpo (Romanos 7:18).


Aos olhos de Deus, o pecado apresenta características correspondentes. Se expressa em ações e palavras, mesmo em crentes, infelizmente - conhecemos muito bem! 

 Por exemplo, Miriã - calúnia (Números 12:10), Geazi - ganância e mentiras (2 Reis 5:27), Uzias - orgulho espiritual (2 Crônicas 26:20).


Para nós hoje, se o mal estiver em ação, ele se espalhará: caso contrário, desaparecerá. Como discernimos isso? O sinal mais seguro de que o mal não está ativo é visto em uma atitude de autojulgamento. Em um caso como este, uma atitude de autodefesa quase sempre indica que o mal está se espalhando. Se um crente cai no mesmo tipo de pecado depois de ser perdoado, isso mostra que a raiz do assunto não foi realmente julgada. O mais importante para o pecador hoje é confessar a Deus.



Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.